reconheça-se:
investigação dos processos cognitivos envolvidos no fenômeno perceptivo do espaço
Trabalho Final de Graduação na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo que surgiu de uma vasta pesquisa pessoal e científica sobre os impactos do espaço no processo de formação da identidade.

(testes preliminares de dimensionamento da relação entre o corpo e espaços.)
Logo no primeiro ano de faculdade, fui apresentado a teoria de criação de mapas, mas não pela definição usada na cartográfica, mas sim por outras metáforas existentes no âmbito da filosofia e neurociência, assim fui capaz de aplica-la à criação de mapas mentais. Desde então, desenvolvi um grande interesse pelos processos cognitivos e então busquei entender melhor como eles se relacionavam com o espaço.
Este projeto então se tornou um resumo até este momento de uma pesquisa científica e pessoal da relação entre os processos cognitivos e o espaço. Para tanto, os primeiros 3 capítulos do livro se dedicam a uma base teórica necessária tanto para mim, quanto para que o leitor entenda os fundamentos dessa teoria.
(A) mapas;
(B) encontro;
(C) mapas do encontro.
Tendo em vista, a noção de mapear como forma de representação abstrata e contínua do mundo, a todo instante que nos encontramos com o mundo, estamos ressignificando nossos mapas e, consequente reformulando quem nós somos e como nos colocamos no mundo.
Entretanto e ainda de forma a buscar conexões mais sólidas, encontro em psicólogos, arquitetos e outros filósofos complementos a esta teoria a fim de entender de forma mais explícita como de fato o espaço transforma nossa visão de mundo e nós mesmos enquanto seres. Os próximos 3 capítulos do livro narram então esta busca de um desenvolvimento mais contínuo e também prático dessa teoria.
(AB) desenvolvimento;
(BC) primeira experiência;
(CA) tfg: reflexões e propostas iniciais.
Por fim, este trabalho culmina na proposta de 4 instalações interativas, cujo conjunto chamei de "micro-ecologias". Tais instalações surgem a partir de um mapeamento interno, e quando externalizado visam não uma conclusão, mas uma experiência coletiva.
(ABC) micro-ecologias.
De certa forma, ao navegar pelos meus mapas internos, apresento fragmentos de quem sou ao mundo na oportunidade de que talvez minha pequena e ínfima visão de mundo seja percebida e ressignificada por outras pessoas.
Portanto, convido vocês a conhecerem 4 das minhas infinitas micro-ecologias: Cidade, Campo, Floresta e Mangue.

CIDADE
A fluidez da água acompanhada de sua apropriação do espaço e sonoridade decorrente do movimento são fatores que sempre me tocaram, trazendo relaxamento e memórias. A partir disso comecei a compor a primeira instalação que iria focar no movimento e encontro entre o corpo e a água, destacando a leveza e firmeza com que ela flui. Constitui, assim, uma fonte de inspiração para meus pensamentos, e também uma referência para o modo como eles fluem: sem parar, se conformando e seguindo por a todas as direções.
A fim de completar a atmosfera desse espaço, trago a frieza do concreto para reagir com o corpo quente que se move dentro da instalação, aqui é tudo suave e fluído, as cores cinzentas trazem a sobriedade e calma de um corpo-mente que almeja a paz e fluidez. O filete de água que cai da nuvem apenas preenche essa atmosfera com o som que acompanha a vazão da água, controlada pela corpo que se move tal qual a fluidez do conjunto. Intitulada instintivamente de Cidade, pois é nela que fluo diariamente buscando meu bem-estar e paz em meio ao caos urbano.

CAMPO
Em contraposição à frieza e calma da Cidade, o Campo veio trazendo calor ao refazer todos aqueles desejos inspirados por imagens mentais que aquecem o coração e tornam as mãos ávidas por concretizar sonhos. Ela diz sobre rituais que muitas vezes criamos e que se tornam íntimos, a fim de alcançarmos nossos ideais. Mas antes de ser um lugar de status e exaltação, ele é um espaço de privacidade, reserva. Delicado e muitas vezes desprovido de ostentação. Para mim, é o espaço preservado na solidão (intimidade da alma) que pouco a pouco vai construindo seus sonhos de forma delicada. Nele há o labor manual: o barro, os remendos, o altar construído que mostram a paixão e persistência de uma mente que devaneia, na esperança de que seu corpo encontre a materialização de seu pensamento.

FLORESTA
Surge também a Floresta, inspirada nas relações que cultivamos e que nos transformam pelos ecos das interações entre os corpos a nossa volta. Estabelecer relações não é algo simples, principalmente quando a superficialidade reina e dificulta a real compreensão do outro. Ao meu ver, entender as relações como encontros incessantes de fluxos cheios de informação e vitalidade de universos paralelos, compostos por infinitas e maravilhosas nuances prontas para serem descobertas torna as conexões entre os corpos ainda mais interessantes. E apesar de por vezes conflitantes cabe a nós regar e cuidar dessas relações, mantendo os ouvidos bem abertos a fim de distinguir as reverberações e composições que elas podem somar ou subtrair, regulando assim a intensidade que nos tocam.

MANGUE
Por último, e por força do tempo hábil e recursos para a montagem, surge o Mangue. Para mim, o mangue representa simplicidade e fragilidade ao mesmo tempo que garante a diversidade e densidade. De fato, quase um paradoxo, não fosse pelo fato de que isso o torna tão peculiar. Como ecossistema, o mangue está ameaçado por ser tão único e frágil, está em risco. Contudo, também como ecossistema possui uma riqueza infinita de indivíduos que o habitam, principalmente por funcionar como um “berçário” natural para diversas espécies. Esta instalação não podia receber um melhor nome. Minha imaginação é meu mangue.
É nela e por meio dela que eu devaneio e recrio meus mapas, é onde minha diversidade surge. Sendo capaz de construir e me reconstruir entre instâncias da inocência e malícia, beleza e feiura, conhecimento e ignorância. Nesta fragilidade de pensamentos que vem e vão, densos em conteúdos, sou capaz de deleitar-me; procurando protegê-los da fugacidade que muitas vezes os assombram, reservando-lhes um lugar especial, um berço de idéias, ameaçados não somente pelas volatilidade, mas também pela incoerência. Esta delicadeza merece um lugar de paz e respiro, onde a cautela reina e abre espaço para a imaginação dar a luz às mais diversas imagens que os mapas constroem. Cuidado, entre com calma aqui.
