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casas do tempo

baseados em três contos, este projeto é composto por 3 casas que narram sobre os tipos de relações entre o ser humano e o tempo de forma espacial, mostrando assim as relações intrínsecas da humanidade com o passado, o presente e o futuro.

Todo este projeto surgiu como uma forma profunda de se explorar relações entre três tipos de contextos diferentes: uma casa na periferia da cidade, outra na praia e a outra no interior de São Paulo. Mesclando-se a isto a forma lúdica e poética que se inicia a abordagem, são eleitos 3 contos: um brasileiro (O Boto Cor-de-rosa), um holandês (O Holandês Voador) e um japonês (Urashima Tarô: A Lenda do Pescador). A partir desses três contos são elaboradas personagens; uma para cada contexto; buscando um meio de traçar as visões de cada uma em relação ao tempo de forma que o espaço narre e revele tais reverberações.

PASSADO

A CASA DO PASSADO

O saudosismo resignado a contemplação.

Personagem: Um velho pescador que no final de sua vida procura por um espaço onde possa saudosamente relembrar do passado que se foi e de seus entes queridos que morreram ou não estão mais tão presentes. Uma casa onde haja uma reverência ao passado e às memórias que ficaram e que entrelaçam com a paisagem do entorno, visto ser um local ao qual tem grande apresso e forte vínculo. Portanto, esse velho vive preso a um saudosismo: dividido entre o continente onde viveu com seus entes queridos e o mar do qual possui várias lembranças devido a sua vida de pesca.

Conceito:  O passado como um objeto precioso e sólido que não pode ser mudado e sim contemplado deixando um sentimento saudosista.

Palavras-chave: contemplação  - interior- saudosismo - linha do tempo

 

Localização: Praia do Guarau - Peruíbe, SP

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10 m

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200 m

Proposta: Dois pavilhões - uma casa compartimentada que é marcada por uma trajetória, como o caminhar numa linha que dá a oportunidade de revisitar e contemplar cada memória gerada nos espaços; e outra casa menor onde o velho mora e é capaz de contemplar a primeira casa onde recebe seus familiares e revive momentos com eles, como também contemplar o mar.

A CASA DO PRESENTE

O momento bem vivido.

Personagem: A personagem é um comissário de bordo que por conta de seu emprego não fica muito tempo em sua casa, pois está sempre viajando. Portanto, seu lar é seu lugar de descanso e onde ancora. Seu lar é seu porto seguro onde descansa entre seus períodos vagando pelo mundo afora. Sua casa é marcada pelas sutilezas do que pode ser vivido no agora: a luz que entra pela janela, o vendo que balança as cortinas, a água que cai do telhado, a contemplação do que se transforma lá fora enquanto o tempo parece estagnar em paz. Sua casa é feita para viver o momento, um porto seguro que estagna no tempo diante de toda a vida orgânica que vai crescendo e transformando.

Conceito:  A experiência no seu tempo e bem vivida. A casa é seu porto-seguro onde ancora quando volta e nela busca aproveitar e se envolver com o momento presente.

Palavras-chave: espaços de estar - orgânico - singularidade do lar - envoltório - estagnação no tempo

 

Localização: Bairro da Penha - São Paulo, SP

PRESENTE

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10 m

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Proposta: Espaços dentro de um espaço. Apropriação da casca de um galpão velho  para construir uma pequena vila de duas casas que respeitam a independência de seus moradores, mas ao mesmo tempo constroem uma convivência orgânica e fluida num espaço que se transforma de acordo com os passos da vida. As novas duas casas - a maior para o comissário e menor para um inquilino que tome cuide da vila em sua ausência - surgem em meio as ruínas da casca que ficam no passado e a vegetação que vislumbra seu crescimento no futuro. Um abrigo entre o passado e futuro: o presente.

FUTURO

A CASA DO FUTURO

Preparação para as surpresas do amanhã.

Personagem: O protagonista é um homem, que após anos galanteando, se apaixona por uma moça depois de engravidá-la. Antes vivia só de momentos, mas agora ele se preocupa com o futuro e todas as suas incertezas. Havendo nesse recanto espaço para acomodação flexível de sua família assim como espaço para  refletir sobre devaneios, sonhos e estratégias para lidar com o amanhã.

Conceito:  O futuro como algo imprevisível, esperado e almejado por todos. O lar como uma cápsula de vislumbre e preparação para o que é aguardado, um espaço entre o seguro e o inseguro.

Palavras-chave: família - mosteiro - vistas - fenestração - descanso

 

Localização: Haras el Paso - Mairiporã, SP

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10 m

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Proposta: Uma casa de pensamentos: ela não nasce de programas, mas sim de explorações do espaço.  Desde o caminhar até o olhar, essa casa é embebecida pelo verbo refletir. Como um ritual, a rampa estreita que desce do nível da rua até o nível da casa acalma o coração e a mente ansiosos que chegam nela. Concentrando todas as aberturas da casa para a visão da paisagem interiorana: como um espetáculo assistido pela própria casa que sóbria abriga e convida seus moradores a vislumbrarem não só a beleza e segurança da paisagem, mas as incertezas e sonhos do futuro. 

© 2018 por Gui Bullejos.

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